Esse projeto é um dos meus maiores orgulhos pessoais. Parece que foi ontem que dei início a ele, mas me surpreendi quando constei que comecei a escrevê-lo no início de 2020.
Apenas Você e Eu surgiu como uma forma de externalizar pro mundo os meus sentimentos de shipper NaLu e, confesso, tive muitos altos e baixos para conseguir exprimir o que de fato a Lucy e o Natsu sentiam, principalmente por se tratar do universo original da obra, onde eu não me permiti fugir de suas personalidades canônicas. Teve vários momentos em que disse comigo mesma "Será que não exagerei demais? Se trata dos personagens da Fairy Tail!". A verdade é que Hiro Mashima nunca desenvolveu de forma aprofundada certos aspectos da personalidade do Natsu, além de que não é raro o personagem agir como um bestão quadrado (nem vamos comentar sobre aquele questionamento RIDÍCULO dele sobre os bebês humanos virem de ovos, ou a completa naturalidade com que lidou com o fato de que sua versão em Edolas era não somente CASADO com a Edo Lucy, como também PAI. Um absurdo e retrocesso sem tamanho).
Como as minhas esperanças de ver um crescimento emocional do Natsu não foram sanadas (e, infelizmente, talvez jamais sejam de forma satisfatória), decidi escrever esse romance. Essa história não segue os eventos do 1000 Years Quest, mas sucede os acontecimentos de Alvarez. Minha ideia teve início ao rever a Ending 15 do anime, além de ter sido ligeiramente inspirada pela temática do vídeo, como irão perceber. Inclusive, recomendo colocarem a música para tocar enquanto leem a parte em que a Lucy dá início à história dela (eu tentei colar o vídeo na postagem, mas os direitos autorais da empresa não permitem). Os primeiros capítulos tem uma vibe mais intimista, mais intropectiva, depois se torna mais dinâmico e parecido com o cânon.
AH! E EU SEI QUE É MUITO FEIO FICAR SE GABANDO, MAS A MINHA CAPA FICOU A COISA MAIS MARAVILHOSA DO MUNDO!!! OLHA SÓ O NATSU E A LUCY, QUE LINDINHOS OS MEUS BBS o(╥﹏╥)o♡
A Lucy foi uma imagem de inteligência artificial que achei na internet e fiz somente algumas modificações, enquanto que o Natsu é na verdade uma pessoa real, o ator e rapper chinês Wang Ziyi, que por algum motivo, enquanto assistia o dorama Why Women Love, no qual ele é protagonista, me despertou uma certeza muito invicta de que ele daria um Natsu perfeito na vida real, não somente em aparência, como em personalidade (posso estar equivocada quanto a esse ponto). E não é que deu certo? Peguei o majestoso rosto dele, usei minhas habilidades de edição no PS e voilà, nasceu uma versão realista e 2.0 do Natsu que me fez ficar apaixonada hihihi ~~
E LÁ VAMOS NÓS!
“Isso NÃO será um romance”
Apenas Você e Eu — Capítulo I
Fairy Tail (フェアリーテイル)
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Contraditoriamente à reação que presumimos condizer com a de terminar mais um capítulo eletrizante de seu livro favorito, a expressão de Lucy Heartfilia em nada exalava emoção; muito pelo contrário, a apatia era evidente no modo como simplesmente relanceava o olhar entre as palavras e fingia absorver o que lia.
Relera a mesma obra inúmeras vezes. Era um enredo fantástico, que sempre a conduzia a terras longínquas e áridas, repletas de ação, perigo e romance. Mesmo sabendo de cor e salteado seu começo, meio e fim, sempre era uma experiência prazerosa poder relê-lo. Contudo, assim como vinha ocorrendo nas últimas semanas, não estava conseguindo imergir no enredo. Era impossível focar em todas aquelas letras enquanto sua mente voava a mil.
Mais do que entediada, marcou a página, ergueu-se do chão e tratou de guardá-lo na pequena estante que jazia na parede acima de sua escrivaninha. Feito isso, seguiu rumo à janela de seu apartamento, apoiando-se nela e sentindo o vento fresco da primavera que percorria por todos os lados, fazendo seus cabelos e brincos agitarem-se fracamente. Embora frustrada, fechou os olhos e se permitiu aproveitar daquela paz.
Naquela tranquila manhã de domingo Natsu e Happy haviam saído bastante cedo com intuito de conseguirem algum dinheiro com missões de rank D. Haviam convidado-na, lembrou-se do Dragon Slayer que, previsivelmente, invadiu seu apartamento juntamente com o gatinho alado e intimou-a a sair consigo, quando, até então, nem sequer havia levantado da cama. Ela, no entanto, havia negado, dizendo que estava bastante cansada por conta do dia anterior, em que passou a tarde ajudando Mirajane e Kinana com uma faxina na biblioteca da guilda.
Em defesa própria, não havia mentido completamente. Estava de fato exausta e sem um pingo de disposição para pegar um trem às quatro da manhã e ir para aquela cidadezinha interiorana, destruir um peixe metamorfo gigante que habitava no riacho de lá e tirava a paz dos moradores. Seu corpo precisava de descanso e ela não se deixou ser coagida pela frustração daqueles dois — muito embora tenha se compadecido imensamente das orelhinhas abaixadas de Happy e do olhar de menino triste que Natsu lhe lançou, tendo em vista que não teria o colo dela para confortá-lo dos terríveis enjoos.
A loira abriu os olhos e sorriu amarga, ciente da falta que o mago do fogo estava lhe fazendo. A imagem de Natsu desfalecendo dentro do trem a fez sentir uma pontada — estava mais para soco — de arrependimento.
Quando parava para pensar nas próprias ações, sentia o coração doer. Embora de fato não houvesse mentido quanto a estar cansada, aquele não havia sido o real motivo para ter recusado seu convite. Natsu e ela possuíam um tipo de vínculo que beirava o inseparável. Eram raros os momentos em que não estava junto a ele. Sua companhia jamais a incomodara, muito pelo contrário, às vezes era ela quem ia à sua procura. Natsu costumava ser o primeiro rosto que via ao acordar, e quase sempre o último quando ia dormir. Nas raras ocasiões em que ficava afastada dele, sentia uma espécie de vazio espiritual; e quando ele estava de volta junto a si… Ah! Tudo era mais colorido e vibrante.
Natsu era como o verão. Quente, feliz, acolhedor. Preenchia seu coração.
E foi ao tomar conhecimento daquele fato, que Lucy passou a temer que estivesse, de alguma forma, atrelada a algum tipo de relação de dependência emocional. Como se, de algum modo, tivesse perdido um pouco de sua singularidade e depositado parte de quem era, nele.
Aquele sentimento estranho era direcionado único e exclusivamente a ele. Com nenhum de seus outros amigos sentia um desejo tão intenso de estar junto, como sentia com ele. Embora se importasse com cada um deles, eles não eram Natsu. Não a faziam sentir o que sentia quando estava com ele. Não despertavam-lhe a necessidade que ele despertava.
Natsu, Natsu, Natsu. Quantas vezes pensara em seu nome nas últimas semanas? Amizades deveriam ser desse jeito? Era normal mentalizar tanto uma pessoa? Fazer solilóquios ao pensar nela? Preocupar-se tão excessivamente com seu bem estar?
Não, era claro que não. Algo estava errado e precisava ser corrigido.
Em atos que considerara bastante egoístas e vergonhosos de sua parte, passara a se afastar dele. Não foi mais à sua procura, tentou se manter ocupada longe dele e quando ele a chamava para fazer missões em trio consigo, sempre inventava uma desculpa para não ir. Até mesmo passou algumas noites do pijama na Fairy Hills para não o ter por perto. Sentia-se horrível, uma péssima amiga, e o pior era que simplesmente não estava sabendo agir de outra forma — ou se comportava daquele jeito, ou acabaria agindo como uma louca obcecada por ele, incapaz de se afastar; o que, pensava ela, seria muito pior.
Era tudo tão confuso.
Por que sentia que estava mudada? O que havia ocorrido? Mesmo depois do fim da guerra contra Tártaros e Acnologia, sentia-se insegura. Natsu continuava o mesmo de sempre. O problema estava nela. Único e exclusivamente nela.
O mais irritante de toda aquela situação, era que não desejava se afastar dele, mas ainda assim o fazia, como se fosse um dever que lhe tivesse sido imposto.
Nunca tivera tanta raiva de si mesma.
Se por um lado estava aliviada por estar sozinha, por outro lamentava a ausência do companheiro — a ênfase estava no singular ‘do companheiro’ e não ‘dos companheiros’, pois nas últimas semanas até mesmo de Happy ela se esquecia quando estava ao lado dele.
Será que ele estava bem? Será que conseguiu dormir na viagem de trem? Será que se meteu em alguma encrenca? Será que estava sentindo falta dela? E se estivesse, estaria com tanta falta dela, quanto ela dele?
Afastou-se da janela, mas antes que pudesse se virar, ouviu uma risada ao longe. O som era abafado, indistinto, mas seu corpo reagiu antes da mente, como se soubesse exatamente a quem pertencia. O peito apertou. Não era Natsu, claro que não era. Mas, por um breve instante, desejou que fosse.
Argh!
Inquieta com aquele mar de preocupações, pensou em invocar o Plue para que lhe fizesse companhia, mas lembrou que era o dia de folga dele. Pensou também em ir na guilda mas logo descartou a ideia; não estava a fim de mais uma vez ser confrontada por Levi, Mirajane ou Cana — ou, sendo mais precisa, por qualquer outra membra da Fairy Tail — sobre o porquê de não estar mais saindo com Natsu.
Só de se imaginar sentada à mesa, ao redor das garotas, ouvindo as mais indiscretas e constrangedoras perguntas, sentia calafrios.
Estava quase gemendo de aflição por não saber o que fazer, até que milagrosamente uma lâmpada surgiu acima de sua cabeça. Lá, em sua frente, estava sua escrivaninha; linda e organizada, como sempre.
Lucy então sorriu. Havia encontrado o passatempo perfeito. Iria se matar de tanto escrever; suas mãos latejariam de dor; mal seria capaz de fechar o punho no dia seguinte. Desse modo, não ficaria a cada milésimo de segundos pensando em Natsu.
Maravilhada com aquela possibilidade, sentou-se à mesa.
— Você consegue, Lucy — decretou, estralando o pescoço e depois os dedos.
Com uma caneta em mão, se forçou a rabiscar qualquer coisa aleatória que sua imaginação fértil ditasse, não importando o que fosse, desde que a fizesse parar de remoer o próprio arrependimento.
A inspiração, no entanto, não vinha. Era incapaz de arquitetar alguma coisa. O tempo se passava e nada acontecia.
— Por que é tão difícil? — lamuriou, observando as muitas bolas de papel amassadas que jogara na lixeira nos últimos minutos.
Lucy então ergueu o rosto em direção à janela aberta e suspirou, contemplando o vento chacoalhar uma árvore de sakura prestes a iniciar seu período de floração.
A primavera sempre despertou o melhor em si mesma, quase que de forma teatral, e não demorou muito para que um milagre acontecesse e a inspiração desse as caras. Em sua mente, um cenário rosa e florido surgiu. Ungida de intuição, deu início a seu conto, sem assimilar direito o que escrevia, apenas o que sentia.
O rosto de Natsu inevitavelmente surgiu em sua mente, fazendo-lhe sorrir enquanto escrevia o primeiro parágrafo.
༻❁༺
E Lucila sorria. Mesmo estando ali, desprotegida e sem um guarda-chuva, ela sorria. Caminhava sobre as folhas secas que jaziam no chão, enquanto escutava o som melódico da chuva, imaginando ser uma canção.
As pessoas desprotegidas à sua volta, corriam buscando abrigo, enquanto ela seguia seu caminho compassadamente, despreocupada de ficar molhada da cabeça aos pés.
A cena não era de toda indigna, no entanto, sabia que não era bom romantizar demais a chuva. Ficar exposta diretamente a ela por muito tempo, poderia trazer riscos à saúde. Em outras ocasiões teria abrigado-se em algum lugar e esperado que cessasse. Mas, naquela manhã, estava feliz. Além disso, não faltava muito para chegar em casa.
Em meio a passadas lentas, estranhou a ausência dos pingos, bem como a súbita presença de sombra em sua cabeça. Ergueu o rosto e viu que um guarda-chuva amarelo havia sido posto acima dela. Olhou para o lado e deparou-se com um rapaz de olhar bondoso que segurava-o acima de sua cabeça.
— Não é bom ficar tempo demais debaixo da chuva — ele disse, sorrindo gentil.
E naquele momento Lucila, tola garota sonhadora, sentiu que estava diante de um dos mais lindos sorrisos que já vira em toda a vida.
— Obrigada… — ela falou, tímida. — Mas nesse guarda-chuva não há espaço pra nós dois. Você está se molhando, veja! — apontou o lado esquerdo do rapaz, evidenciando o ombro da blusa branca completamente salpicado pela água.
— Ah, não se preocupe. Sou um cara de sangue quente, chuvas não são nada pra mim — descontraiu. — Você, no entanto, é frágil e mais propensa a resfriados.
Ele era tão doce e gentil, que a fez enrubescer.
— Vamos? — ele perguntou após alguns segundos de silêncio, com uma sombra de sorriso brincando nos lábios, percebendo que até então estavam parados.
Ela assentiu rapidamente; ele achou graça.
— Obrigada, de novo — murmurou constrangida pela aproximação, na qual fazia-a encostar minimamente o ombro com o do desconhecido.
Ele sorriu.
— Você mora aqui perto, não é? Já te vi algumas vezes caminhando pela área — o desconhecido puxou assunto, encarando-a com interesse.
— Sim, meu apartamento fica apenas a duas quadras — explicou, sorrindo sem jeito.
— Entendi.
Um silêncio se instaurou ao longo do caminho e Lucila o observou discretamente.
Era um garoto bonito. Bastante bonito, melhor dizendo. Possuía a pele sutilmente bronzeada, apresentando um delineado nítido em todos os seus contornos. Em sua face magra, cintilavam olhos cor de avelã, os quais eram minimamente encobertos pelos fios róseos desgrenhados que combinavam tão bem com o cachecol cor-de-creme que envolvia o seu pescoço. Trajava uma blusa branca de mangas longas com um colete cinza por cima, bem como uma calça social de cor igual. Tudo nele exalava charme, intelectualidade e conforto. Era um pouco mais alto que ela, tendo em média um metro e setenta de altura e, segundo sua intuição, possuía a mesma idade que si
Fora tudo isso, sempre que ele se movia, seu corpo exalava um encantador aroma de sabonete de sândalo e bergamota. A partir daquele momento, a garota decretou, aquela passou a ser uma de suas fragrâncias preferidas.
— Eu moro aqui — ela declarou após alguns minutos de caminhada, assim que chegaram em frente ao pequeno apartamento. — Mais uma vez, obrigada — curvou-se respeitosamente, exibindo um sorriso assim que ergueu o rosto novamente e o encarou.
— Disponha — ele sorriu cheio de bonomia, não vendo necessidade para tanta formalidade.
Ela então retirou um molho de chaves de dentro da bolsa que segurava, e antes de destrancar a porta, o rapaz a interrompeu, perguntando:
— Qual é o seu nome? — e ele logo prosseguiu: — Eu sou o Natsuhiko! — apresentou-se efusivamente, alargando o sorriso.
— Ah! Eu me chamo Lucila — disse abrilhantada, inconscientemente copiando o gesto do garoto em sua frente.
— Lucy… — ele arriscou chamá-la pelo apelido; ela sorriu em aprovação. — Foi um prazer conhecê-la.
— O prazer foi todo meu — disse sincera e um pouco rubra.
Olharam-se por mais alguns segundos, sorrindo enquanto imersos naquela conexão espiritual. Natsuhiko, vendo que aquilo estava se tornando um tanto constrangedor, falou:
— A gente se vê por aí, então, Lucy.
— Sim — sorriu meiga. — Tchau… Natsu.
Ele deu um enorme sorriso.
O rosado então acenou e deixou o local. Lucila, ao entrar em casa, suspirou e deixou as costas apoiarem-se rente à porta de madeira, de modo que vagarosamente deslizou até o chão, completamente arvoada.
Natsuhiko… Aquela palavra ficaria gravada por muito tempo em sua cabeça. Aquele nome nada mais era do que a estação mais quente do ano. Fazia juz ao que ele era; um príncipe de sorriso brilhante e personalidade calorosa.
Ela então levantou-se do chão, ainda tola, comprazendo-se com o som do próprio coração e da orquestra de violinos que jurava ser capaz de ouvir.”
༻❁༺
Lucy largou a caneta sobre a escrivaninha. Havia um vinco entre suas sobrancelhas, além de um desconforto crescente em seu interior.
Era difícil de acreditar no que acabara de escrever, mas ali, diante de seus olhos, estava tomando forma, em impecável caligrafia, um romance adolescente — daqueles bem fuleiros, precisava admitir —, o qual, por motivos que nem mesmo ela sabia porquê, tinha como protagonista uma versão irreal de seu companheiro de equipe.
Ora, onde já se viu! Como se não conhecesse a personalidade do Natsu!
Ultrajada consigo mesma ao notar que, sem perceber, até mesmo desenhara corações, brilhos e florzinhas no rodapé da página, decidiu que aquele absurdo precisava ter um fim. Sua história não era para ser assim — ou, pelo menos, não deveria.
Antes de prosseguir com a narrativa, pegou um post-it e colou na folha, escrevendo, com uma ênfase quase raivosa:
1- Isso NÃO será um romance, embora pareça!
2- NÃO associar ninguém em específico a pessoas reais. É tudo ficção.
3- MUDAR URGENTEMENTE O NOME DOS PROTAGONISTAS.
Terminada a lista, recostou-se na cadeira, observando as palavras com olhar crítico. A contragosto, admitiu que o último item era exagero. Por mera comodidade — e somente isso, dizia a si mesma —, decidiu riscar a última linha. No fim das contas, que importância tinha um nome? Eram apenas personagens, não pessoas reais.
Certo?...




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