10/06/2025

Epílogo: Apenas nós (ou quase)

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“Epílogo: Apenas nós (ou quase)” 
Apenas Você e Eu — Capítulo VI 
Fairy Tail (フェアリーテイル) 

 ⊹₊┈ㆍ┈ㆍ┈ㆍ✿ㆍ┈ㆍ┈ㆍ┈₊⊹ 

O caminho de volta para o apartamento de Lucy foi silencioso, mas não de uma maneira desconfortável. Pelo contrário, era o tipo de silêncio tranquilo que se forma quando duas pessoas compartilham algo genuíno e novo. Seus dedos entrelaçados, as mãos quentes e os olhares sorridentes trocados de vez em quando, eram suficientes para fazer o tempo parecer desacelerar.

Lucy, com o coração ainda acelerado, olhava para Natsu ao seu lado e não conseguia parar de sorrir. Era como se finalmente todas as peças do quebra-cabeça tivessem se encaixado de alguma forma. Cada passo que davam juntos, agora, parecia mais leve, mais natural. A presença dele ao seu lado não era mais uma coisa distante ou um sonho incompleto; era real, palpável. E ela gostava disso.

Natsu, por sua vez, parecia radiante. O sorriso nunca saía de seu rosto, e os olhos dele estavam brilhando com algo que Lucy nunca tinha visto antes. Ele parecia quase surpreso, como se estivesse começando a entender a magnitude do momento, mas ao mesmo tempo, ele estava em paz. Era como se o beijo tivesse aberto uma porta que ele não sabia que existia, e agora, ele estava descobrindo um novo mundo. E, curiosamente, ele adorava aquilo.

Chegaram ao apartamento de Lucy envoltos em um silêncio confortável, o tipo que carrega em si a doçura de algo recém-descoberto. O frio da chuva ainda grudava em suas roupas, mas o calor que preenchia o espaço entre eles tornava tudo suportável, quase insignificante.

Assim que entraram, Natsu se jogou no sofá, soltando um suspiro satisfeito, como se só agora percebesse o cansaço acumulado da noite. Lucy, por sua vez, sumiu pelo corredor, retornando momentos depois com duas toalhas secas.

— Aqui — disse, entregando uma a ele antes de se sentar ao seu lado.

Ela começou a secar os cabelos, sentindo o tecido absorver a umidade enquanto uma sensação de aconchego se espalhava por seu corpo. Natsu pegou a toalha, mas, em vez de usá-la de imediato, ficou observando a sala ao redor, como se a estivesse vendo pela primeira vez. Havia algo diferente em seu olhar — uma suavidade, um brilho novo.

— Você está bem? — Lucy perguntou, puxando os fios dourados para trás da orelha, a voz delicada, mas curiosa.

Ele desviou os olhos para ela e sorriu, um sorriso quente, sincero, que fez seu peito se apertar de leve.

— Estou ótimo, Lucy. Muito melhor do que eu imaginava — A voz de Natsu saiu baixa, quase um sussurro, carregada de algo que ele ainda parecia tentar entender.

Lucy sorriu.

E assim, sem que percebessem, as horas se dissolveram entre palavras e risos. Tomaram o café da manhã juntos e falaram sobre tudo e sobre nada, permitindo que as conversas fluíssem sem esforço, como se o tempo houvesse desacelerado apenas para eles. Compartilharam lembranças, dividiram segredos que antes pareciam grandes demais para serem ditos em voz alta e, nos momentos de silêncio, simplesmente se olhavam, sem pressa, sem necessidade de preencher o espaço com mais do que aquilo que já existia entre eles.

Em algum momento, Natsu se deixou cair no tapete, os braços estendidos ao lado do corpo, a respiração lenta e despreocupada. Lucy o observou por um instante antes de fazer o mesmo, deitando-se ao seu lado, seus corpos alinhados no chão. As mãos se encontraram no meio do caminho, dedos se entrelaçando quase por instinto, um toque sutil, mas cheio de significado.

As palavras foram diminuindo de ritmo, tornando-se mais suaves, mais espaçadas. Os olhares começaram a se prender um no outro por mais tempo, carregando algo novo, algo que ia além do que podiam expressar com meras frases. Então, sem aviso, Natsu virou o rosto para ela — e de repente, os lábios estavam tão próximos que um suspiro bastaria para uni-los.

— Mais um beijo? — Ele perguntou, o tom suave, como se fosse algo simples, mas significativo.

Lucy não respondeu com palavras, apenas se inclinou para ele, e seus lábios se encontraram novamente, de forma mais profunda desta vez. O beijo foi mais longo, mais exploratório, como se ambos estivessem tentando entender o que realmente significava compartilhar aquele momento.

Natsu se deixou levar, fechando os olhos com uma leveza que ele não sabia que possuía. O beijo, algo tão simples, tornou-se uma descoberta. Ele nunca imaginou que fosse tão bom, tão intenso. A sensação de ter os lábios dela nos seus, de sentir a suavidade da pele dela contra a sua, fez seu corpo vibrar de uma maneira que ele não poderia explicar. Ele não queria mais parar. Era como se ele finalmente tivesse encontrado algo que sempre buscou, sem nem saber o que era.

Após alguns momentos, eles se separaram, rindo baixinho, os rostos ainda próximos, os corações batendo em um ritmo acelerado. O sorriso de Natsu era despreocupado, radiante, como se tivesse acabado de descobrir algo maravilhoso. Lucy, por sua vez, observava-o com um brilho terno no olhar, sentindo o calor dele tão próximo ao seu.

Ela se ajeitou ao lado dele, deixando a cabeça descansar suavemente contra seu peito. O som das batidas do coração dele era um embalo silencioso, confortável. Seus dedos ainda estavam entrelaçados, os polegares traçando carícias distraídas na pele um do outro.

Então, com um suspiro leve, Lucy ergueu o rosto e encontrou os olhos dele, a curiosidade refletida em sua voz suave:

— Ei, Natsu… — murmurou. — Por que você acha casamentos desnecessários?

Natsu piscou, surpreso com a pergunta, mas logo deu de ombros, respondendo no tom despreocupado de sempre:

— Sei lá — A resposta veio sem muito esforço. — Acho bobeira gastar tanto dinheiro com uma cerimônia. No fim das contas, se você quer ficar com alguém pra sempre, é só morarem juntos. O que importa de verdade são os sentimentos.

Lucy ficou em silêncio por um instante, absorvendo as palavras dele. No fundo, ela sabia que Natsu não ligava para formalidades, que nunca fora do tipo de seguir tradições apenas por seguir. Mas, ainda assim, o casamento sempre fora um sonho para ela — um símbolo de compromisso, de laços profundos e inquebrantáveis.

Porém, ao olhar para Natsu, deitado ao seu lado, relaxado e completamente à vontade, uma realização começou a tomar forma em sua mente.

Eles já viviam assim.

Desde que se conheceram, ele esteve sempre ao seu lado. Compartilharam incontáveis momentos, dividiram alegrias, dores, desafios. Ele a conhecia como ninguém, sabia seus medos, seus sonhos, suas manias mais estranhas. Sempre voltava para ela, sempre a colocava em primeiro lugar. Se casamento era sobre dividir a vida com alguém, então… eles já estavam casados, de certa forma.

Seu rosto corou ao perceber isso, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, Natsu quebrou o silêncio com seu jeito despreocupado de sempre:

— Pensando bem… — Ele virou o rosto para ela com um sorriso travesso. — Eu já sou praticamente seu marido, né?

Lucy sentiu o calor subir do peito até a ponta das orelhas, e Natsu, percebendo sua reação, riu, achando graça.

— Do que você tá falando?! — Ela se afastou um pouco, cobrindo o rosto com as mãos, o coração disparado.

— Ué — ele deu de ombros, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — A gente vive junto o tempo todo, eu te protejo, você cuida de mim, já nos vimos sem roupa mais vezes do que posso contar… — sorriu com malícia, demorando o olhar sobre ela — Você até já brigou comigo igual uma esposa faria.

— N-Não é bem assim! — protestou, mas sua voz soou fraca, porque, no fundo, ela sabia que ele tinha um ponto.

Natsu riu de novo, se divertindo com o embaraço dela, mas então, sua expressão suavizou. Ele virou o corpo um pouco mais para encará-la melhor, e sua voz veio mais baixa, mais sincera:

— Mas, se fosse com você, Lucy… — Ele sorriu de lado. — Eu me casaria numa cerimônia.

Os olhos dela se arregalaram, e por um momento, tudo ao seu redor desapareceu.

— O quê? — Sua voz saiu quase num sussurro.

Natsu coçou a nuca, desviando um pouco o olhar, como se estivesse escolhendo bem as palavras.

— Se isso fosse importante pra você… eu faria. Mesmo achando um monte de coisa desnecessária, eu faria. Porque… bom, você é importante pra mim.

Lucy piscou, sentindo o coração dar um salto. As palavras dele, simples e diretas como sempre, tinham um peso imenso. Ele não precisava de um casamento, mas se ela quisesse… ele faria.

Ela apertou os lábios, tentando conter o sorriso bobo que ameaçava se formar.

— Você fala cada coisa, Natsu…

Ele riu, esticando os braços atrás da cabeça.

— Só tô falando a verdade.

Lucy se aconchegou mais perto dele, apoiando a cabeça em seu ombro, ainda sentindo as bochechas quentes.

E, naquele momento, percebeu que talvez casamento não fosse apenas sobre cerimônias ou assinaturas. Talvez fosse sobre o que eles já tinham. Sobre promessas silenciosas, sobre estar presente, sobre fazer alguém se sentir em casa.

E, de alguma forma, isso a fez sorrir ainda mais.

— Me desculpe, Lucy.

Aquela frase foi solta de forma tão destoante que ela não conseguiu compreendê-la.

— Pelo quê?

— Por não ter me despedido de você apropriadamente no dia em que fui embora. Agi de forma egoísta e somente ontem é que me dei conta disso. Prometo nunca mais repetir isso.

Lucy sentiu um calor agradável tomar conta de si.

— Obrigada. 

E trocaram mais um breve selinho. 

O silêncio confortável que envolvia o casal foi quebrado por um som estranho. Primeiro um risinho abafado. Depois, outro sussurro. Um “Ai! Não me empurra” saiu um pouco mais alto. Logo em seguida, um “shhh” impaciente e um resmungo.

Lucy franziu o cenho, erguendo a cabeça do ombro de Natsu.

— Você ouviu isso? 

Natsu também se endireitou, os sentidos aguçados captando o barulho suspeito. 

— Hã… parece um monte de gente cochichando. 

Mais um ruído, seguido por um baque surdo e um gemido dolorido. 

Fica quieto, idiota, eles vão ouvir!

Era a voz de Gray. 

A Erza pisou no meu pé. 

Desculpe, Elfman. 

Lucy e Natsu se entreolharam. Algo estava definitivamente errado. 

Com passos silenciosos, Lucy se levantou e foi até a janela, abrindo a cortina minimamente. Natsu a seguiu, curioso. Quando espiaram lá fora, tiveram que piscar algumas vezes para acreditar no que viam.

Uma escada de gelo estreita e precária estava reclinada na lateral do prédio, levando diretamente até sua janela. E, espremidos como sardinhas em cima dela, havia pelo menos dez membros da guilda — todos tentando ouvir o que acontecia no apartamento.

Gray estava na base da escada, segurando uma geringonça que, ao que tudo indicava, era um amplificador de som defeituoso, que atirava faíscas para todos os lados. Juvia estava desempenhando o seu papel de guarda-costas, segurando-lhe o braço com possessão e lançando olhares de morte para qualquer um que ousasse se aproximar demais de seu Gray-sama. Erza, equilibrada mais acima, empurrava um Elfman insistente que balançava perigosamente para frente e para trás. Cana, risonha e ébria, estava sentada no degrau acima dele, bebericando um barril de saquê. Levy, apertada entre Cana e Gajeel, abraçava desesperadamente a barriga de Gajeel para não cair.

Gajeel, embora não estivesse na mais honrosa e confortável das posições, sorria encabulado, a face inegavelmente ruborizada.

— Eu não acredito que você me convenceu a isso, Mira — mais acima, resmungou Laxus. 

— Ora, quem vê pensa que você não estava nem um pouco curioso — retrucou Mirajane, sorrindo travessa em sua forma Satan Soul.

O loiro bufou, os braços cruzados, incapaz de refutar a albina.

— Cacetada! Quem foi que peidou? Alguém peidou — reclamou Gray.

— Aposto que foi o Elfman — murmurou Gajeel. 

— ISSO NÃO É COISA DE HOMEM! — Elfman rugiu indignado, cruzando os braços. — E EU NUNCA NEGARIA UM PEIDO SE FOSSE MEU!

— SHHH! — Todos silenciaram, se empurrando ainda mais.

Para o horror de Lucy, e mera confusão por parte de Natsu, o que estava diante deles era resultado de ninguém menos que Gildarts, que naquela mesma manhã, invadiu a sala do mestre com a empolgação de um adolescente fofoqueiro.

— Mestre, eu tenho novidades bombásticas! — foi a primeira coisa que disse ao entrar na sala, sorrindo cúmplice — Ontem à noite o moleque do Natsu confessou que tá gamado na Lucy. Disse que não consegue viver sem ela — Gildarts ria.

Makarov, que estava calmamente tomando sua cerveja matinal, cuspiu a bebida inteira.

— O QUÊ?!

Os olhos do velho brilharam de espanto. Não era pra menos, afinal se tratava do Natsu.

— É isso mesmo que você ouviu! A princípio nem mesmo eu acreditei. Você precisava ter visto, mestre. Passei a noite inteira dando uns conselhos pra ele de como chegar nela. É hoje, mestre. Hoje o Natsu vai se declarar pra loirinha.

Makarov bateu o caneco na mesa em um gesto quase mecânico.

Com um olhar sombrio e ares de missão divina, Makarov ergueu-se do banquinho e disse, com voz grave:

— PRECISO CONFERIR ISSO PESSOALMENTE. 

E assim começou o plano.

Com o aval do mestre, a notícia se espalhou rapidamente pela guilda, e um grupo de fofoqueiros ansiosos começou a bolar um plano para bisbilhotar o casal. Gray, empolgado com a missão e com a perspectiva de fazer de Natsu alvo de suas piadinhas, construiu uma escada de gelo improvisada. Cana e Mirajane recrutaram os mais curiosos. Juvia se infiltrou para garantir que Lucy não roubasse Gray de alguma forma — mesmo que ele insistisse que isso não fazia sentido.

O único problema era que Gajeel e Laxus, ambos Dragon Slayers, não precisavam de escada nenhuma para ouvir tudo claramente do andar de baixo, mas, de alguma forma que nem mesmo eles sabiam explicar, acabaram sendo empurrados para o meio de toda aquela bagunça.

— Vocês são patéticos — Gajeel resmungou baixinho, enquanto cruzava os braços. — Eu já sei de tudo faz tempo.

Laxus revirou os olhos.

— Francamente. Eles basicamente se confessavam a todo momento. Só demoraram anos pra admitir. 

No topo do telhado, estava ninguém menos que Makarov, agachado ao lado de Warren, que tinha os olhos fechados e os dedos pressionando as têmporas, como um mestre da narração telepática. 

— Iniciando a transmissão em três… dois… um… 

🌀 Conexão mental ativada com todos os membros da Fairy Tail. 

— “Senhoras e senhores da guilda! Aqui quem vos fala é Warren, diretamente do telhado da Lucy, narrando ao vivo mais um capítulo de ‘Eles Se Gostam Mas Não Se Beijam’!” 

Do salão da guilda, vozes surgiram: 

— IRRÁ! AUMENTA O VOLUME! 

— Avisa se tiver beijo! 

— Apostei 500 em declaração hoje!

Só tinha um pequeno detalhe que Warren esquecera completamente: Lucy e Natsu também estavam conectados à transmissão.

Lá dentro do quarto, Lucy arregalou os olhos. Ficou paralisada por três segundos, com a alma saindo do corpo em forma de uma versão menor e em desespero.

Então, o fogo do inferno se acendeu dentro dela.

— ...Eles estão... NARRANDO?! — ela balbuciou, os olhos tremendo, as bochechas vermelhas — E TÁ TODO MUNDO OUVINDO?!

Ela puxou a cortina e abriu as janelas com tanta força que pensou ser capaz de quebrá-las.

— MAS O QUE DIABOS VOCÊS ESTÃO FAZENDO AQUI?! TÁ TODO MUNDO MALUCO?! QUEM TÁ TRANSMITINDO ISSO?! WARREN, EU VOU TE MATAR!!!

A voz dela ecoou como um trovão divino. Pombos voaram em disparada. O tempo parou. Natsu engoliu seco, com medo legítimo.

O efeito foi imediato.

A escada bambeou e em fração de segundo todos estavam caindo em uma pilha desastrosa no chão.

Warren não perdeu tempo e ainda de olhos fechados, narrou o fim do mundo:

— “ATENÇÃO, ATENÇÃO! ALERTA MÁXIMO! LUCY ESCANCAROU A JANELA! REPITO: JANELA ESCANCARADA! TODOS OS ESPIÕES EM RETIRADA— OH, MEU DEUS, A ESCADA TOMBOU! É UMA TRAGÉDIA!”

Sua voz subia junto com o caos.

— “CANAAAA! MENÇÃO HONROSA PRA CANA, MEUS TELESPECTADORES! A mulher aterrissou de pé, em estado de pura graça etílica! O barril sobreviveu, senhores, o barril sobreviveu!”

Ele arfou, mas não parou. 

— “JUVIA VAI AO RESGATE DE SEU AMADO. ERZA EXECUTA MANOBRA DE COMBATE, ROLA PRA TRÁS E AMORTECE A QUEDA — ELA TÁ VIVA! ELFMAN CAIU QUE NEM SENTIU, “RESISTIR É COISA DE HOMEM, DIZ ELE”. LAXUS… LAXUS TÁ FLUTUANDO COM A MIRAJANE NOS BRAÇOS?! UM VERDADEIRO GENTLEMAN, MEUS AMIGOS”. 

Uma pausa curta. Respiração dramática.

— “LEVY NÃO TEM A MESMA SORTE! OH, NÃO! CÓDIGO VERMELHO: Gajeel tombou em cima dela como um pedaço de ferro velho sem freio! Todos vivos, mas... o orgulho foi atingido em cheio. REPITO: O ORGULHO FOI ATINGIDO!"

Makarov, agachado ao lado, murmurou:

— Você perdeu o juízo... 

Mas Warren não ouvia mais nada. Estava possuído pelo espírito da narração.

— “ESTAMOS ENCERRANDO ESTA TRANSMISSÃO COM A SEGUINTE MENSAGEM: O CAOS ESTÁ ENTRE NÓS. E A LUCY ESTÁ POSSESSA.”

Lucy mal podia acreditar em tudo aquilo.

— Vocês são impossíveis — disse ela ao estar já fora de casa ao lado de Natsu, frente aos bisbilhoteiros.

— Era só pra escutar discretamente…

Um silêncio constrangedor se seguiu. 

Erza, um tanto corada, pigarreou e ajeitou sua armadura como se nada tivesse acontecido.

— Acho que já ouvimos o suficiente.]

— NÃO DEVERIAM TER OUVIDO NADA DESDE O COMEÇO! — Lucy gritou, vermelha de indignação.

Natsu, por outro lado, apenas coçou a nuca, parecendo mais confuso do que irritado.

— Vocês realmente escalaram até aqui só pra nos espiar?

— Não foi ideia minha! — Levy se defendeu imediatamente, já devidamente apresentável.

— Nem minha! — Gajeel bufou, cruzando os braços.

— Eu só vim porque achei que ia ter briga — Elfman comentou.

Gray suspirou, levantando-se.

— Ok, talvez tenha sido ideia minha… e um pouco da Cana.

Cana ergueu o barril.

— Valeu a pena.

Makarov apareceu no topo do telhado como um duende travesso, braços cruzados e aquele sorrisinho de quem já viu de tudo — e ainda quer ver mais.

— Hm-hm… Estávamos apenas garantindo que o Natsu não colocaria nada a perder! — disse ele, cofiando a barba, com ar solene de quem defende uma causa nobre.

Lucy quase explodiu.

— VOCÊ QUE PLANEJOU ESSA PALHAÇADA, NÉ, SEU VELHO SAFADO?! — Lucy esbravejou, completamente vermelha.

Mais algumas risadas.

— Não fique brava, Lucy — disse Mirajane, com aquele sorriso que curava brigas e corações partidos. — Todo mundo já sabia que vocês estavam destinados a ficar juntos.

— E… estamos muito felizes por vocês — completou Erza, desviando o olhar, um leve sorriso tímido escapando no canto dos lábios.

Makarov então acrescentou, mais calmo:

— Acredite em nós, minha filha… ninguém aqui queria atrapalhar. Só queríamos ver vocês felizes. Juntos.

A loira tentou manter o ar indignado, mas sua expressão suavizou. Nos olhos de todos ali, havia uma faísca gentil. Ela percebeu — mesmo a contragosto — que no fundo todos estavam apenas... felizes por ela.

— Ainda assim, transmitir tudo com narração ao vivo?!

Makarov deu de ombros, um brilho traquina nos olhos.

— Ué… uma história de amor dessas precisava de cobertura exclusiva.

Lucy corou, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, algo azul e peludo voou acima de sua cabeça.

Happy pairava no ar, tampando a boca com as patinhas como se tivesse acabado de testemunhar a coisa mais engraçada do mundo.

— AYYYY, NATSU E LUCY SE GOXXXXXXXTAM!

— H-HAPPY! — Natsu tentou agarrá-lo, mas o gatinho voou para longe, gargalhando.

As risadas explodiram de todos os lados, contagiantes, irreprimíveis. Num piscar de olhos, a frente da casa virou um pandemônio — gritos, provocações, zombarias e um caos tão característico que parecia quase ensaiado.

Gray se aproximou do amigo, tirando as mãos dos bolsos, com um meio sorriso no rosto.

— Sabe… não achei que você fosse o primeiro a encarar esse tipo de coisa.

Natsu arqueou uma sobrancelha, ainda com o riso preso na garganta.

— Que tipo de coisa?

— Relacionamento. Sentimento. Essas paradas complicadas.

Natsu deu de ombros.

— Não é complicado… é só a Lucy.

Gray soltou um risinho pelo nariz, cruzando os braços.

— Típico. Você sempre faz parecer simples o que é um caos pra todo mundo.

Por um instante, o olhar de Gray desviou, pensativo — talvez em direção a alguma garota obcecada por ele, que provavelmente já estaria chorando num canto se tivesse ouvido aquilo.

Ele então bateu de leve no ombro de Natsu.

— Foi corajoso, cabeça quente. Eu… admiro isso. Um pouco.

Natsu piscou, surpreso.

— Você me elogiou?!

— Não se acostuma, foi só uma exceção. — Gray virou de costas com um gesto displicente.

— Cê tá com febre? Posso te levar na Porlyusica se quiser! — Natsu provocou, sorrindo.

Gray olhou por cima do ombro, olhos semicerrados.

— Tira esse sorrisinho da cara, seu lagartixa apaixonado.

— Lagartixa é o quê?! Repete isso! 

— Lagartixa! L-A-G-A-R-T-I-X-A! 

— VOCÊ É QUE É UM MALDITO PICOLÉ AMBULANTE! 

No segundo seguinte, os dois estavam se empurrando e tentando se socar, rolando no chão como sempre — no meio da calçada, das risadas dos amigos e dos olhares exaustos de Makarov e Lucy.

O velho suspirou, massageando as têmporas entre divertido e derrotado.

— Essa guilda tá perdida… 

Lucy ficou ali parada por um momento, no centro do turbilhão, os cabelos balançando com a brisa e as bochechas ainda coradas. Era como se o mundo inteiro estivesse rindo da sua vida… e ao mesmo tempo, rindo por ela.

Um misto de exasperação e ternura lhe atravessava o peito. Ela sabia que aquilo era um absurdo — que nenhum namoro, por mais simples que fosse, podia existir em paz sob os olhos daquela guilda. Mas, mesmo que quisesse reclamar… não conseguia.

Porque no meio de toda aquela bagunça — entre aquelas risadas escandalosas, a correria do Happy e a eterna briga entre Gray e Natsu — havia algo puro. Quente. Familiar.

Ela viu Natsu no centro da confusão, envolvido em uma discussão absurda sobre répteis e picolés, e se deu conta: ele continuava o mesmo. E, ainda assim, estava transformando tudo.

A irritação se desfez num sorriso cansado.

Aquilo, pensou, era o que significava estar em casa.

Lucy soltou um suspiro longo — desses que carregam exaustão e gratidão na mesma medida.

A guilda podia até estar perdida.

Mas, no fundo, era exatamente por isso que ela os amava tanto.


Fim

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