09/06/2025

Reciprocidade

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“Reciprocidade” 
Apenas Você e Eu — Capítulo V 
Fairy Tail (フェアリーテイル) 

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Na noite anterior Lucy se recolhera para dormir com a escassa esperança de se ver livre de sonhos; não precisava alimentar ilusões que só a confundiriam ainda mais. Uma mente em branco era muito mais atrativa do que à opulência de devaneios coloridos que a induziriam ao erro.

E de fato, não sonhara. Assim como também não dormira.

Os trovões que rasgavam o céu contrastavam com o silêncio avassalador dentro de si. Passara a noite inteira desperta, a mente girando sem descanso em torno de um único nome, um único rosto: Natsu. Tentara encontrar sentido no caos de suas emoções, compreender a confusão que a assolava sempre que pensava nele.

Havia resistido com unhas e dentes a princípio, mas não havia dúvidas: Ela o amava. Amava com o desejo e afeto que uma mulher sente por seu amante. Já não havia mais traços de fraternidade naquilo. Era puro amor erótico, daqueles que despertam emoções intensas.

Lucy conhecia a si mesma o suficiente para não se iludir. Era jovem, sim, mas não tola. Sabia que não era o tipo de mulher a quem o desejo carnal tomava de assalto sem que sentimentos profundos estivessem entrelaçados a ele. O que sentia por Natsu ia além da simples atração. Era visceral, inegável, impossível de ser contido.

Ela vasculhou a própria memória, tentando identificar o momento exato em que aquele sentimento brotara dentro de si. Mas não soube dizer. Talvez estivesse ali desde o princípio, desde os primeiros dias de amizade, como uma semente lançada ao acaso em seu coração. Regada dia após dia pelo convívio, pelo riso fácil, pelos desafios compartilhados e pelo calor de sua presença constante, essa semente crescera em silêncio, enraizando-se de maneira tão profunda que arrancá-la agora seria impensável — doloroso, impossível.

Reconhecia que logo no começo de sua amizade, achava um tanto absurdo seus conhecidos pensarem que se tratavam de um casal não assumido. A ideia toda chegava a ser cômica aos seus ouvidos, fazendo com que descartasse a sugestão ao arquitetar cenários absurdos de como viriam a se comportar caso fossem um casal apaixonado — versões distorcidas e romantizadas de si mesmos, repletas de flores e rococós. Naquela época, sequer possuía experiência de vida; era apenas uma garota infantil, ingênua e sonhadora, amante da vida, luz do sol e de magia estelar. Não estava à procura de um romance, apenas de aventura, companhia e felicidade.

E felicidade… Ah! Ela nunca esteve em falta ao lado de Natsu.

Junto a ele, Happy, Gray, Erza, Wendy e Charlie, vivera os momentos mais preciosos de sua vida. Amava a todos com uma ternura infinita, e o vínculo que compartilhavam era inquebrantável. Mas, em algum momento — um momento que ela não conseguia precisar — seu coração passou a ansiar por algo mais além do que fraternidade.

Natsu tornou-se a âncora pela qual ansiava.

O que sentia, sabia ela, ia muito além de paixão e desejo. Amava Natsu Dragneel já havia muito tempo. Como havia sido tola ao acreditar que poderia resistir àquilo, quando na verdade aquele sentimento já a havia dominado por completo!

E como poderia não amá-lo!? Como poderia não ter caído de amores por ele depois de tudo que haviam passado juntos? Inúmeras ocasiões contribuiriam para que se apaixonasse. Enumerá-las era impossível. Era o olhar cúmplice trocado no meio de uma batalha, a mão estendida quando tudo parecia perdido, a gargalhada sincera depois de um dia difícil. Era o conforto de saber que, acontecesse o que acontecesse, ele estaria lá.

Quando Natsu e Happy haviam ido embora e deixado-a sozinha, passara o resto de seus dias pensando neles. Nele. Aquele ano havia sido tão difícil que pareceu se estender ainda mais do que o tempo no calendário sugeria. A tristeza que sentia por todas as perdas que tivera era indescritível. Mediante a tudo isso, manteve-se forte e se reergueu, determinada a ser a melhor versão de si mesma quando Natsu a reencontrasse.

E, de certo modo, orgulhava-se disso. Quando o viu novamente, tudo pareceu se encaixar outra vez. Era como se o mundo voltasse a girar no ritmo certo, como se, enfim, pudesse respirar sem aquela sensação de vazio. Acreditou que tudo ficaria bem, que o destino finalmente lhe sorriria e que jamais o perderia de novo.

Mas foi um engano.

Na guerra contra Alvarez, ao se inclinar sobre um Natsu inconsciente, esperando ouvir seu coração bater, foi tomada por um terror avassalador. O silêncio ensurdecedor em seu peito esmagou-a por dentro, roubando-lhe o fôlego, o raciocínio, qualquer vestígio de esperança. Se não fosse por Brandish, sabia que ele teria partido para sempre.

E essa ideia era simplesmente inconcebível.

A mera possibilidade de viver num mundo sem Natsu era um pensamento que a dilacerava. Ela tinha medo do futuro. Medo de acordar um dia e ele não estar mais lá. Medo de que o amor que sentia a consumisse por completo.

Medo de se permitir amá-lo.

Sentia-se como se estivesse sendo arrastada para um redemoinho de inseguranças. Seu coração oscilava entre a necessidade de se entregar àquele sentimento e o receio de que não houvesse reciprocidade. Porque, no fundo, Lucy sabia que era especial para ele. Sabia que Natsu a amava, mas não do mesmo jeito. Ele daria a vida por ela, assim como daria por qualquer um de seus amigos, e isso doía mais do que gostaria de admitir.

Natsu não era partidário ao amor romântico. Nunca havia sido. A indiferença como tratava aquele tipo de questão era a prova de que ele não sabia do que aquilo se tratava e que tampouco estava interessado em descobrir.

O que faria com aquele sentimento a partir dali? Não queria mais torturar a ele e a si mesma com aquelas atitudes idiotas. Já estava cansada de fingir que não sentia nada além de amizade por ele. Cansada de usar eufemismos para atenuar o modo como enxergava toda aquela situação. Precisava encarar os próprios sentimentos e permitir-se senti-los.

Depois de longas horas, tomara uma decisão.

Quando a primeira luz da manhã tingiu o céu, Lucy reuniu toda a coragem que não sabia possuir, vestiu-se e seguiu para a guilda. Seu coração martelava no peito, sua mente fervilhava em expectativa.

Mas, ao chegar lá, foi surpreendida com a notícia: Natsu ainda não havia aparecido.

Talvez eu tenha vindo cedo demais.

— Quer comer ou beber alguma coisa, Lucy? — Mirajane perguntou com aquele seu jeito atencioso de sempre, por trás do balcão.

— Não, Mira, obrigada. Vou só ficar aqui, esperando pelo Natsu.

Mirajane lhe lançou um olhar indagativo.

— Aconteceu algo, Lucy?

— Não, por quê?

— Parece que não dormiu a noite inteira.

Ao seu lado, Laxus, que até então bebia silenciosamente de sua caneca, resolveu se manifestar com sua típica franqueza:

— É mesmo, Heartfilia. Sua aparência está horrível.

Lucy deu uma risadinha sem graça perante o escrutínio alheio.

— Tive um pouco de dificuldade pra cair no sono — reconheceu ela, atenuando o fato. — Mas eu estou bem.

Mirajane estreitou os olhos daquele jeito inteligente e presunçoso que costumeiramente fazia quando não acreditava em algo.

— Sei… Precisando de qualquer coisa, estou à disposição — exibiu um sorriso largo e caloroso. 

— Obrigada, Mira. 

Lucy suspirou, recostando-se no balcão. O tempo passou, mas Natsu continuava ausente. Uma hora se esvaiu em meio a conversas casuais com alguns amigos, mas ninguém o havia visto naquela manhã.

E aquilo era estranho.

Natsu sempre madrugava e vinha direto para a Fairy Tail, fosse para conversar, comer ou simplesmente causar algum alvoroço. Mas naquela manhã, nem sinal dele.

Uma inquietação começou a se instalar em seu peito. Algo não parecia certo.

— Ele tá atrasado, né? — Mirajane falou casualmente, enxugando uma caneca atrás do balcão, mas sua expressão trazia um brilho sutil de curiosidade.

— Sim, estranho, né? — Lucy respondeu, lançando um olhar ao redor da guilda quase vazia. — Ele sempre aparece cedo por aqui. 

Um silêncio breve se instalou, enquanto Lucy mordia levemente o lábio inferior, refletindo. Então, suspirou e pegou sua bolsa.

— Acho que vou indo, Mira. Se ele passar por aqui, pode dizer que preciso falar com ele?

— Claro, Lucy. Digo sim. 

Mirajane sorriu, mas havia algo em seu olhar que sugeria um entendimento maior do que Lucy estava disposta a admitir para si mesma.

— Aproveita pra dormir mais um pouco, Lucy. Tá precisando — A voz arrastada e sarcástica de Laxus cortou o momento.

Lucy revirou os olhos, mas antes que pudesse responder, Mirajane ergueu a mão e deu um tapa certeiro na cabeça do loiro.

— Ai! Qual é, Mira?! — Laxus resmungou, massageando o couro cabeludo.

— Aprende a ser menos insuportável — ela retrucou com um sorriso doce, que contrastava com a força do golpe.

Os dois iniciaram mais uma de suas briguinhas típicas, um ciclo interminável de provocações que, de alguma forma, era a maneira peculiar de demonstrarem carinho um pelo outro.

Lucy, no entanto, já estava distraída demais para continuar ali.

Com um peso no peito e a mente rodando possibilidades, retomou o caminho para casa.

O sol da primavera, ainda que oculto por uma névoa cinzenta no céu, brilhava. A brisa úmida da manhã sacudia suavemente as folhas das árvores. O som ritmado de seus passos ecoava pela ponte de pedra, misturando-se ao burburinho distante da cidade despertando.

Quando levantou o olhar, viu uma figura familiar vindo na direção oposta.

— Ora, ora! Olha só quem eu encontro! — Gildarts abriu um largo sorriso. — Tudo bem, Lucy? Quanto tempo!

Lucy esboçou um sorriso, apesar da inquietação que ainda carregava no peito. 

— Oi, Gildarts. Como você vai?

— Vou indo — respondeu ele com um dar de ombros despreocupado. — Cheguei de viagem ontem e tô indo pra Guilda agora.

Houve uma breve pausa antes de ele inclinar a cabeça de leve e lançar-lhe um olhar perspicaz. 

— Já se encontrou com o Natsu? 

Os olhos dela se acenderam instantaneamente. 

— Ainda não. Sabe onde ele está? — perguntou, dando um passo mais perto, esperançosa. — Fiquei esperando um tempão na Guilda, mas nem sinal dele.

Gildarts soltou uma risada baixa, como se soubesse de algo que ela ainda não sabia.

— Vocês devem ter se desencontrado. Ele também madrugou hoje e foi direto pro seu apartamento. 

Lucy piscou, surpresa.

— Meu apartamento? 

— Se eu fosse você, ia correndo pra lá. — O ruivo cruzou os braços e lançou-lhe um sorriso carregado de significado. — Parece que ele tem algo importante pra te dizer. 

Um frio percorreu sua espinha, misto de nervosismo e expectativa. 

— Certo, vou indo então. Obrigada, Gildarts. 

— Não tem de quê. E... boa sorte — Ele piscou, divertido.

Lucy não ficou para perguntar o que ele queria dizer com aquilo. O coração já martelava forte contra o peito quando ela girou nos calcanhares e disparou pela rua.

O coração de Lucy martelava em seu peito enquanto ela atravessava as ruas apressadamente, cada passo impulsionado por uma mistura de ansiedade e expectativa. As palavras de Gildarts ecoavam em sua mente.

“Ele tem algo importante para te dizer.”

O que isso significava? Por que Natsu tinha ido até seu apartamento em vez de aparecer na guilda como de costume?

Quando finalmente alcançou sua porta, respirou fundo, tentando acalmar a tempestade dentro de si antes de girar a maçaneta.

Ao entrar, a primeira coisa que notou foi o silêncio. A segunda foi a presença dele, parado ao lado de sua escrivaninha, segurando algumas folhas de papel. O cabelo róseo estava ligeiramente bagunçado, e sua expressão era séria — tão diferente da despreocupação habitual que o caracterizava.

Lucy sentiu o sangue gelar em suas veias. 

Os papéis.

Seu estômago revirou quando seus olhos identificaram os escritos que ela havia revisado naquela manhã, cuidadosamente dispostos sobre a mesa antes de sair. Escritos que, até então, eram apenas dela. Um desabafo silencioso, um segredo entrelinhado nas páginas que nunca imaginou que seriam lidas por mais ninguém.

Mas ele leu.

E agora, Natsu olhava para ela de um jeito que nunca havia olhado antes. Como se, pela primeira vez, enxergasse além das palavras, além das conversas diárias e risadas compartilhadas.

— Lucy… — a voz dele saiu baixa, carregada de algo indefinível.

Ela abriu a boca, mas nada saiu. Uma parte dela queria arrancar os papéis de suas mãos, fingir que nada daquilo existia. Outra parte… outra parte sabia que não havia mais volta.

Natsu baixou os olhos para os escritos novamente.

— Isso… — Ele passou os dedos sobre as palavras, quase com reverência. — Isso é sobre mim, não é?

Lucy sentiu o chão sumir sob seus pés.

Ele não perguntou em tom de dúvida. Ele sabia. Entendia cada vírgula, cada metáfora, cada negação dolorosa disfarçada entre as frases. Entendia como ela havia se projetado naquela personagem, vivendo através das páginas o que não conseguia admitir na realidade.

Ele ergueu o olhar novamente, e desta vez, não havia como escapar.

— Você me ama.

Era uma afirmação, não uma pergunta. 

O silêncio pesou entre eles, denso como um segredo revelado.

Lucy engoliu em seco, sentindo o coração bater descompassado. Cada fibra do seu ser gritava para que dissesse algo, qualquer coisa. Mas, por mais que tentasse, não conseguia negar.

Porque, no fundo, sempre soube que esse momento chegaria.

Lucy sentiu a garganta apertar, o ar ficar pesado dentro dos pulmões. O olhar de Natsu estava cravado nela, intenso, quente como fogo.

“Você me ama.”

As palavras ecoavam em sua mente como um trovão.

Era verdade. Ele sabia. Ela sabia. Mas admitir isso em voz alta…

A respiração dela ficou irregular, o peito subindo e descendo rapidamente. Tudo estava acontecendo rápido demais. Rápido demais para alguém que passou tanto tempo tentando esconder esse sentimento até mesmo de si mesma.

Então, agiu por instinto. 

Girou nos calcanhares e correu.

Não pensou para onde estava indo, apenas precisava sair dali. Precisava de ar. Precisava fugir daquele olhar que despia cada uma de suas defesas.

Ouviu passos apressados atrás de si.

— Lucy! 

Mas ela não parou.

Desceu as escadas às pressas, ignorando o vento que começava a sussurrar pelas ruas. Seu coração pulsava tão forte que parecia ecoar em cada passo.

Então, uma gota fria pousou em sua pele.

A chuva veio mansa, espalhando-se pela cidade com delicadeza, deslizando pelos telhados e dançando no ar junto às pétalas de sakura. Mas Lucy não parou. Correu, sem olhar para trás, sem saber ao certo para onde ia — até que seus pés a guiaram para um velho refúgio.

Ali, sob a grandiosa árvore de sakura, a respiração veio em soluços suaves, mais pelo caos em seu peito do que pelo esforço. A chuva caía serena, misturando-se ao calor de sua pele, e tudo ao redor parecia suspenso entre sonho e realidade.

E então, ela sentiu. 

Ele estava ali. 

“Get on an unknown train
Let love decide the destination 
The more I hope, the more I fear the hurt 
Afraid that one day, I’ll still have to leave” 



— Lucy. 

 A voz, suave, cortou o som da chuva que caía mansamente, como uma melodia tranquila.

“Now the world it is upside down 
And we were floating on the sky 
Now my world it is upside down 
Cause I’m so loving you and you loved me too” 

Ela se virou lentamente e ali estava ele. Parado sob o véu de gotas, seus cabelos róseos pesando sobre a face. Mas o que realmente a atingiu foram os olhos dele… Eles estavam cravados nela, com uma intensidade que parecia engolir o resto do mundo.

Natsu respirou fundo, seus dedos deslizando pela pele molhada antes de dar um passo à frente.

“At both ends of the road, 
memories play in reverse 
We were once so happy 
How I wish the train of time 
Would never stop at the shore, 
carrying you and me”

 — Você não precisa fugir de mim. 

O peito de Lucy apertou. O nó na garganta parecia impossível de desfazer.

— Eu… — A voz dela se perdeu, e ela abaixou a cabeça, deixando que as gotas de chuva a tocassem, misturando-se às suas lágrimas não derramadas.

— Eu sei, Lucy. 

“If I can't have a tunnel that no one knows 
Without an end 
Would you be willing to throw everything away 
and stay with me under the warm sun?” 

 Ela levantou o olhar, confusa, e o encontrou de novo, agora mais perto, tão perto que o mundo ao redor parecia desvanecer.

Natsu deu mais um passo, a distância entre eles se encurtando ainda mais.

— Eu sei o que você sente — Sua voz era serena, firme, sem provocações, apenas uma verdade nua e clara. — Eu li cada palavra sua. Eu entendi.

O coração de Lucy disparou, cada batida reverberando em seus ouvidos, como se quisesse saltar para fora do peito.

— E quer saber? — Natsu continuou, a voz agora mais baixa, mas carregada de emoção. Sua respiração estava tão acelerada quanto a dela. — Você não precisa escrever histórias pra sentir isso. Você não precisa se esconder atrás de personagens.

Ele ergueu a mão, quase com reverência, tocando delicadamente a lateral do rosto dela. A palma quente dele contrastou com o toque gelado da chuva, e aquele simples gesto fez Lucy fechar os olhos por um momento, sentindo a conexão entre eles crescer mais forte.

— Porque eu também sinto.

As palavras dele entraram em seu peito como uma corrente elétrica, provocando uma onda de emoções avassaladoras. Lucy prendeu a respiração, o mundo ao redor começando a desaparecer, como se tudo tivesse se concentrado naquele instante, naquela troca silenciosa de sentimentos.

Natsu sorriu então, e aquele sorriso… Ah, aquele sorriso. Era o sorriso que sempre a fez se sentir segura, acolhida, como se, com ele, ela nunca precisasse temer o futuro.

Eu amo você, Lucy. 

 As palavras dele se infiltraram em sua alma, como um choque que a fez tremer por completo. O peito dela apertou, os olhos se encheram de lágrimas, que se misturaram à chuva que caía suavemente sobre eles.

E então, sem pensar, sem hesitar, sem o peso do medo ou da dúvida, ela se jogou para frente, os braços envolvendo Natsu com uma força inesperada. Seu rosto se enterrou contra o peito dele, buscando o conforto de sua presença, como se a chuva e o mundo ao redor simplesmente não existissem mais.

Natsu, sem perder tempo, a envolveu em seus braços com a mesma intensidade, apertando-a contra si como se nunca mais fosse soltá-la.

O abraço deles permaneceu firme, mas o mundo ao redor parecia lentamente desaparecer. O som suave da chuva e o cheiro da terra molhada eram os únicos acompanhantes naquele momento perfeito. Lucy sentiu seu corpo relaxar, encostada em Natsu, e por um instante, tudo parecia certo. Como se nada mais fosse necessário, a não ser estar ali, nos braços dele.

Mas havia algo mais. Uma sensação, uma tensão crescente no ar, algo indefinido, mas palpável. O calor de Natsu se irradiava, misturando-se com a frescura da chuva, mas ela sentia que algo mais estava se aproximando. Os batimentos dos dois pareciam sincronizados, e Lucy teve a impressão de que o tempo estava pausado, apenas para eles.

De repente, Natsu se afastou ligeiramente, ainda segurando seus ombros, mas com os olhos fixos nela. O olhar dele estava suave, mas carregado de uma intensidade que Lucy nunca tinha visto antes. Ele parecia tão vulnerável quanto ela, e de alguma forma, isso a fez sorrir, ainda que de forma tímida.

— Lucy… — Ele murmurou o nome dela, e a forma como pronunciou sua voz a fez sentir uma leve onda de calor na pele.

Lucy não sabia o que fazer, as palavras não vinham. Só sabia que o coração estava acelerado e que havia algo entre eles, algo tão forte que a fez prender a respiração. Ela olhou para ele, os olhos brilhando com um sentimento que ela nem sabia explicar totalmente. Mas não era preciso. Eles estavam ali, juntos, e isso era o suficiente.

Natsu deu um passo à frente, de forma hesitante, mas firme. Seus olhos nunca saíam dos dela, e a expressão no rosto dele era um misto de incerteza e desejo. Ele parecia tão jovem, tão perdido quanto ela, mas ao mesmo tempo, tão determinado.

Lucy percebeu que seus lábios estavam entreabertos, quase como se pedissem algo, como se esperassem algo que ela não sabia se estava pronta para dar, mas algo dentro dela disse que esse momento estava prestes a acontecer, e que ela não precisava mais fugir.

Foi Natsu quem fechou a distância. Com a mesma suavidade com que ela tocou seu rosto, ele a tocou agora, mas nos lábios. O beijo foi tímido, hesitante, como se ambos estivessem descobrindo algo novo e precioso, algo que parecia mágico e ao mesmo tempo assustador. As bocas se encontraram em um primeiro toque suave, quase sem pressão, apenas uma troca silenciosa de sentimentos.

Lucy se sentiu tensa no início, mas aos poucos, à medida que o beijo se aprofundava, a sensação de incerteza foi se dissipando. Os lábios de Natsu estavam gentis, explorando com delicadeza, sem pressa, como se estivesse perguntando, “está tudo bem?”. E ela respondeu, sem palavras, com um suspiro baixo e a leve pressão de seus próprios lábios, permitindo que o momento se tornasse algo mais.

O beijo não era perfeito, nem esperado. Mas era deles. Era real. E ali, sob a chuva suave de primavera, os dois jovens finalmente se entregaram ao que sentiam, sem mais barreiras, sem mais medos. Só havia a sensação de estar completo, de finalmente ter encontrado o que ambos buscavam, mas nem sabiam como pedir.


PRÓXIMO CAPÍTULO 🢂

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